A obra la de casa

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Complicado achar um pedreiro!
Eu olhava as rachaduras na parede e as cores escuras com remendos, era estranho mas eu gostava, minha mãe e as visitas criticavam e eu gostava.
Sabe, resolvi manter a carga temporal dos acontecimentos, pintei tudo eu mesmo, as rachaduras estão aqui, sombreadas pelas minhas lampadas amarelas – odeio luz branca – e me tornei minimalista arrumando a casa.
Acho fundamental manter as marcas, tenho varias cicatrizes e de certa forma, elas me mantem no eixo. Conto minha historia e entrando em casa eu vejo as marcas das muletas no roda pe da cozinha, os furos de onde ficava o forninho que minha vó me deu e o dia que ela me presenteou me vem a mente. Talvez agora fique claro o por que das rachaduras.
Todo mundo passa a vida reformando a vida, perde o pouco tempo que tem se reconstruindo e desconstruindo, normal?
Cansados todos olham o passado com quem não quer voltar pra lá, mesmo assim, já pensou se você pudesse?
A arquitetura de hoje mantem traços do passado para ostentar a beleza mórbida das coisas que eram bem feitas. Eu quando olho minhas cicatrizes, diminuo a velocidade do carro e me lembro do dia que minha vó me deu o forninho, os furos da parede, as rachadoras e cor nova, foi a unica coisa que mudei, simplesmente pra aproveitar melhor a luz amarela.
Por fim, sairia caro reconstruir tudo e não ver mais as marcas da minha vida nas paredes.
– risos – As visitas pensam que é um toque arquitetônico os furos do forninho que a minha vó me deu.

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