Meu grande amor marcial

00720130

Minha incrível paixão juvenil.

Batucar, hoje um apelo esquecido por uma juventude estranhamente diferente. Um apreço sem preço que me vestia de valores e cores não pintáveis. Um ensurdecedor motivo desmotivado de swingar abraçado a um timbal penado e um pouco maior que eu. Trovador de um som ecoado nas ruas cheias de pessoas que esperavam espetáculos meus dissolvidos entre fardas iguais.

Eu chorava, vestido de uma roupa quente e aplaudido sem merecimento adequado, eu chorava. Via meus pais na plateia e orgulhosos e pomposos de nem tanto pra tanto, sorria e ria de fazer um barulho dançante e muitas vezes empolgante ao amante de um som.

Tempos de sintonia, uma encantável maratona a tona de um dia do ano, um infinito ensaio de tempos e viradas orquestradas por um ouvidor. O autor, cantor, ator, Eu. Nada tão sublime ainda me substituiu as lagrimas salgadas e enxugadas por minha tensa vibração do som batido e repetido no timbal baiano presente do meu pai. Tempos de banda, tempos de som.

 

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