Meu pai e o cinema

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Posso apostar que não vou conseguir passar a sensação que vou descrever.

Uma simples cessão de cinema para mim e para você, para o meu pai a cor rosada do por do sol, o espetáculo sórdido do mundo contemporâneo. Uma hora e trinta minutos de uma viagem mágica de quem a trinta e quatro anos não ia ver um filme. Sempre sem tempo ou com uma boa desculpa para nada. Talvez as mesmas que eu e você inventamos.

Não ouvi um comentário de um comentarista nato. Sequer um gole do refrigerante esquentado na própria mão. Era um buraco enorme de silencio e piscadelas por de trás do fundo óculos sujo. Não era bem meu pai.

Enigmático motivo era talvez o que faltava na branda vida de meu pai. Os mesmos que empolgam no momento mais acalorado de qualquer filme. Eu pensava: “O que se passa na cabeça dele?”.

No fim do filme ele levantou colheu o lixo ao seu redor, segurou a mão de minha mãe, a deu um beijinho e desceu a escada. Olhou para trás e me agradeceu por ter levado ele no cinema. A vida é muito mais do que você imagina!

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