As férias do meu pai

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Tenho certeza que se você tivesse que escolher alguém pra ser, não seria seu pai.

Sou fã número um do meu, se eu tivesse que escolher alguém pra ser, acredite, seria ele. O humano mais desconectado que eu conheço, o mais simples, o mais objetivo e com uma sabedoria, talvez inventada, tão complexa quanto os textos mais pesados de Kant.

Todo ano ele tirar férias, seria simples como ir comprar pão se não fosse tão louco a forma e metodologia que ele aderi para executar uma coisa que deveria me trazer uma tremenda satisfação. Nunca é um passeio, sempre uma viagem de mais de dois mil quilômetros num carro velho que ele diz que vai e volta três vezes. Eu nunca fico tranquilo, ele ainda consegue me deixar mais preocupado quando diz que vai levar barraca para acampar no meio do caminho com minha mãe. Sim, ele leva a minha mãe com sessenta e sete anos, a mesma idade dele.

Agora sim você deve estar pensando que essa é uma história inventada, eu acharia, Dos heróis que eu vejo em todos os filmes e nos livros que li, nada é tão complexo quanto a capacidade de me deixar em pânico que meu pai tem. Eu deveria impedir alguém de ser e fazer tudo que eu sempre quero e não tenho atitude? Não, que ele vá e volte, e pode crer, ele vai e volta com cara de quem já fez isso no mesmo carro umas três vezes. Meu pai é o herói mais foda do gibi da minha vida.

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