Carta ao traidor

 

Começo perdoando-me!

Acho que agora, melhor que antes, posso aceitar as desculpas que eu crio. Os motivos que eu fingi não ver para atender minhas necessidades vazias de alguém que não tem o brio que eu procuro. Seria simples eu culpar, você traidor, por não agir como eu espero. Existem momentos que eu não alinhei o que queria ao que realmente existia entre eu e você.

Tudo bem, eu sofri muito com os balanços angustiantes das atitudes que tive para manter as minhas ligações. Acreditei, principalmente, que podia argumentar ou mudar o pensamento de quem fosse para ter o que fosse. Eu errei e perdoo-me.

Venho traindo-me ao exigir de mim o que não preciso. Nesse momento, eu deixo-te traidor. Escolho agora ter o necessário para ser o que gostaria. Notei querer sempre ser uma imagem ideal para o mundo, com isso desenvolvi um traidor.

Todos temos traidores das dores que sentimos, inventores de métodos que escondem o obvio, especialistas em fingir que tudo que somos é tudo que mostramos. Traídos escolhendo se manter num relacionamento de merda que frutifica frustração. Minha ação? Deixo-te traidor.

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