Cavalheiros

Eu diria umas três, essa era a quantidade de vezes que ele usou o mesmo barbeador. Nunca antes um abridor de portas ou pagador de contas, um autêntico, era o que ele era. Um tipico cavalheiro cotidiano, que não chega exatamente na hora por que já esperou por tempo de mais. Não exatamente o mais malhado da academia, na verdade ele nem ia. Sempre apaixonado por verdades comprovadas e mentiras funcionais. Nenhum medo gravemente ferido ou mutilado, tudo era medo friamente inventado e superado por ele. Sempre ele mesmo de varias formas diferentes, sempre ou quase sempre.

Feio, forte e formal como um morro de pedras coloridas. Minimalista com excentricidades polêmicas como cheiro de boldo do chile. Viajado o suficiente para mais de doze horas de conversa. Sofisticado como os cortes de facas de serra. Um cavalheiro extremamente cotidiano. Extremamente cavalheiro.

Há quem diga que já viu um desses por ai. Escondido nas mesas do canto, bebendo algo com energético ou só olhando o fundo dos seus olhos. Eles não suportam paciência, não gotejam paz interior, não entendem nada sobre entender muito bem alguma coisa. Cavalheiros de verdade, com todas as armaduras que podem carregar depois de ter sofrido tudo, para tudo. Cavalheiros armados com todas as habilidades do homem normal. Extremamente comuns, e por isso, extremamente raros de se ver.

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