Damas

Eram quatro e trinta e cinco de uma tarde de março. Sentada na cadeira do escritório de alguém, cutucava os cantos das unhas de fibra e relembrava as piscadas bregas do moreno no bar do último sábado. Ainda decidindo o que comer para manter a dieta que nunca começa de verdade, saboreia o maior hambúrguer que imagina mentalmente apenas.

Vive ela entre a faculdade, o curso, o trabalho e as tentativas de relacionamentos conturbados por imaturidade masculina. Ignora mensagens insensatas que recebe nos aplicativos vastos de encontros virtuais, chora as vezes vendos os filmes na tv, cuida do cão como a única retribuição de carinho verdadeiro de quem apenas espera comida. Ela anceia por tudo que posta nas redes e aposta em tudo que prometem, mas não demonstra. Caminha dolorosa pelos apertos do salto alto e mesmo assim, sorri por que a vida não aceita sua tristeza.

As damas que cruzam os tabuleiros silenciosos e trêmulos que o mundo cria, permanecem ainda intocáveis. Naturais e dotadas de defeitos únicos, ainda desmontam qualquer realidade masculina, qualquer machismos ácido, qualquer riqueza. Normais damas, magnificas mulheres as nossas, não é!?

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