Ideais que não temos mais

Um gosto forte pelo trabalho pesado. A não comoção pelo pouco a fazer. O não saber lidar com meros desafios. Ser um peão, um fazedor nato.

Não ter exemplos burocráticos ou artificiais de trabalhadores. Ser criado entre o cansaço total ou o descanso visceral das dores do fim do dia. Não ter visto sabonetes bactericidas limparem feridas. Não presenciar desistências a competência de quem não sabe bem o que fazer. Não ser encorajado ao fracasso. Ter como unica opção a vitória, a glória. Nunca ter a opção do erro. Não ter como concertar por não poder pagar uma nova tentativa.

Hoje, gostar de virar massa para a alvenaria ou levar o entulho que não serviria. Lavar o carro, Instalar chuveiros, configurar GPSs, pintar o piso da casa, varrer todo o quintal, deixar de pagar ao empregado para fazer de bom grado o serviço banal.

Trabalhar pesado para no fim descompassado, fedorento e nojento sentar no relento e admirar a falta de força em não se orgulhar.

Idealizar um hobby moral ideal. Cansar-se fazendo igual. Descobrir que para viver o vital, devemos saber o valor total das coisas que pagamos para não fazer mais. Ideais que não se tem mais!

Related Posts

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *